A Ciência Viva assinala, em 2026, 30 anos de atividade dedicadas à promoção da educação e cultura científica em Portugal e à aproximação entre a ciência e a sociedade. A agência construiu até hoje uma rede de conhecimento, colaboração e participação pública que anualmente mobiliza milhares de cidadãos.
Ao longo de três décadas, a Ciência Viva consolidou uma vasta rede de projetos, integrando os Centros Ciência Viva, as Escolas Ciência Viva, os Clubes Ciência Viva na Escola e, mais recentemente, as Quintas Ciência Viva. Estes projetos funcionam em parceria autarquias, empresas, escolas, universidades, politécnicos e unidades de investigação.
A Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica marcou presença no Congresso SciComPt 2026 e apresentou alguns destes projetos, em sessões como “A Ciência Viva nos Pátios: os pátios escolares como laboratórios ao ar livre”, “Quintas Ciência Viva: Cultivar conhecimento, comunicar identidade territorial” e "Ciência Viva no Verão - 30 anos de iniciativa".

A fundação da Ciência Viva
Antes mesmo da criação da Ciência Viva, em 1996, José Mariano Gago já planeava o futuro da ciência e tecnologia. Com o Manifesto para a Ciência em Portugal, publicado em 1990, o fundador da Ciência Viva já propunha a implementação de estratégias de desenvolvimento científico português baseadas na renovação da educação, na criação da cultura científica, na promoção investigação de qualidade, na rotura do isolamento científico e na criação de uma ligação forte entre academia e empresas.
“Ele sempre acreditou que o pilar essencial desta estratégia era uma sociedade informada em temas de ciência e tecnologia”, menciona Pedro Russo, presidente da Ciência Viva, “que pudesse não só apoiar esta estratégia nacional, mas, acima de tudo, também beneficiar socialmente, culturalmente e até economicamente dos benefícios que vem da ciência.”
Na época, já tinham sido criados alguns trabalhos de comunicação de ciência, mas a Ciência Viva permitiu criar uma infraestrutura e uma estratégia para estes projetos, baseada no ensino experimental de ciências e numa rede de Centros de Ciência Viva.

Projetos que continuam a ser chave nos dias de hoje
Logo nos seus primeiros anos, a Ciência Viva criou o programa de Ensino Experimental para as Ciências, que permitiu criar financiamento para escolas com equipamento para ensinar ciência de forma mais didática.
Nessa altura, surgiu também do projeto “Astronomia no Verão”, que cresceu tanto que a Ciência Viva no Verão tornou-se um programa de larga escala a nível nacional.
Já os Centros de Ciência Viva, que foram crescendo e tiveram um pico há cerca de 10 anos, continuam também a ser uma componente importante da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica. Com 22 espaços de divulgação científica, operam tanto em grandes centros urbanos como em territórios de menor densidade populacional.
“E isso é algo impressionante. Temos um país pequeno, um país com recursos limitados, mas que existe toda uma rede que diariamente abre as portas, recebe escolas, recebe visitantes, recebe turistas e mostra como é que a ciência e a tecnologia evoluem”, acrescentou o presidente. Atualmente, um dos projetos de mais destaque dentro destes centros são as Escolas Ciência Viva.
O futuro da Ciência Viva
Ao celebrar 30 anos de atividade, a Ciência Viva prepara-se para enfrentar os desafios do futuro através de uma reflexão sobre as transformações da atualidade. Entre as principais preocupações da agência estão as tecnologias emergentes e o seu impacto na sociedade e no ambiente.
“Nós, como Agência Nacional, temos de estar preparados não só para mostrar estes impactos, preparar a sociedade para se calhar apropriar-se do conhecimento que existe destas tecnologias e também beneficiar delas, de uma forma ética e responsável”, concluiu Pedro Russo.