Uma das sessões de comunicação realizada, esta quarta-feira, dia 27 de maio, no Auditório Nobre da Universidade de Évora foi dedicada ao tema "Arte, Cultura e Criatividade". A sessão, moderada pelo investigador João Gaspar, contou com quatro projetos que integram arte e criatividade no processo de investigação e na comunicação de ciência.
A primeira comunicação — “Teatro e doença bipolar: comunicar emoções” — abordou o uso do teatro como processo investigativo para o tema social da doença bipolar. Este trabalho, apresentado por Mário Montenegro, membro da companhia de Teatro e Marionet e investigador Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra, tem como objetivo reduzir o estigma em relação à doença mental.
Para Mário Montenegro, o teatro é um meio privilegiado para transmitir e expressar emoções. O processo de investigação artística partiu de entrevistas a pacientes e profissionais de saúde na Unidade Local de Saúde de Coimbra. A investigação resultou na apresentação pública do espetáculo “Oxímoro, entre solstícios e equinócios”. Os resultados obtidos neste trabalho revelaram que o teatro, através do envolvimento emocional que cria no público, é um meio eficaz para comunicar temas das Ciências da Saúde.
Seguiu-se a comunicação “Como a Comunidade Cultura e Arte comunica ciência de forma dinâmica e eficaz” apresentada pelo investigador José Malta, do CENIMAT|i3N, Nova FCT. O projeto de informação Comunidade Cultura e Arte foi criado em 2014 e tem como missão popularizar e homenagear a cultura e a arte em todas as suas vertentes. Segundo o investigador, este órgão de comunicação social digital tem tido um aumento crescente de conteúdos de ciência, contando com mais de 50 artigos em 2025.

O terceiro projeto foi dedicado à memória. Com o nome “Memória e loucura no conhecimento científico: da arte clássica ao streaming”, a comunicação foi apresentada por Filipe Barrocas Lima, investigador do Laboratório de Investigação Aplicada em Comunicação e Média (LIACOM-ESCS) e Instituto de Comunicação da NOVA (ICNOVA-FCSH).
Também com o foco na doença mental, esta apresentação foca-se no eixo da memória, propondo uma reflexão crítica sobre o papel da cultura e das artes visuais enquanto mediadores de conhecimento científico. Esta comunicação traçou uma evolução dos usos da arte e da representação da doença mental ao longo do tempo — na pintura, no cinema, e mais recentemente no crescimento exponencial das plataformas de streaming —, argumentado que a comunicação de ciência deve ultrapassar a mera validação clínica e compreendê-la também a partir do fenómeno cultural.
A sessão terminou com a comunicação “O som na comunicação de ciência: atenção, significado e memória”, apresentada por João Van Zelst, técnico de som e Sonoplasta da Fundação Champalimaud. Este trabalho baseou-se em dois projetos, com o som a assumir um papel central: a coleção "20 Anos, 20 Histórias", criada para assinalar o 20.º aniversário da Fundação Champalimaud, e os grandes simpósios científicos da instituição.
O primeiro projeto foi construído a partir de entrevistas e resultou numa campanha online e numa exposição que utilizavam o som para entrelaçar vozes individuais numa narrativa. O segundo projeto projeto, que é dedicado aos simpósios, apresentava uma estratégia sonora distinta, com a criação de composições sonoras, eletrónicas mais experimentais, que foram inspiradas em processos neuronais e na cognição que transmitiam o peso emocional da investigação em cancro.