Como usar as artes, o design e as ferramentas multimédia para a comunicação de ciência? Foi este o mote de uma das sessões que marcou a manhã do último dia do SciComPt2026. A sessão contou com uma dinâmica que permitiu a todos os oradores partilhar formas criativas de comunicar ciência.
O projeto "Curtas de Astronomia" foi apresentado por Sérgio Pereira, do CECS - UMinho, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, que destacou o trabalho realizado por estudantes de design digital da Universidade Lusófona. A iniciativa, que surge na sequência de uma colaboração com o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IASTRO) e a Fundação para a Computação Científica Nacional, resulta de um programa de estágios curriculares. Ao todo os estudantes já produziram 11 animações, que foram entretanto publicadas no YouTube e na plataforma educast da FCCN, para poderem ser utilizadas por investigadores e professores.

Depois do cinema, a sessão prosseguiu com os podcasts. Sara Cura, freelancer e investigadora do Interdisciplinary Center for Archaeology and the Evolution of Human Behaviour (ICArEHB), apresentou o projeto Let's Rock- um podcast da Idade da Pedra. Iniciado em 2022 como parte do seu mestrado em comunicação de ciência, este podcast estreou com um episódio experimental sobre pré-história, tema que a oradora dominava.
Após o sucesso do primeiro episódio, a arqueóloga continuou com o projeto numa vertente de entrevistas a investigadores. "A entrevista beneficia do facto de sermos humanos", realça. Sara Cura salienta ainda a oportunidade de falar naturalmente sobre o dia a dia da investigação em pré-história, ao mesmo tempo que dá a conhecer melhor o trabalho dos investigadores. A arqueóloga falou ainda da importância da qualidade do som na produção destes conteúdos e da facilidade com que hoje é possível realizar entrevistas à distância.
Atualmente, o Let's Rock é um projeto independente e premiado, ganhou um prémio PODES no festival de podcasts português em 2024 e conta já com mais de 12.000 downloads desde que foi lançado no Spotify. Mesmo com um público fiel, focado em arqueologistas, o podcast começa também a conquistar novos ouvintes. O facto de também estar disponível na plataforma Popcast "ajudou a chegar a audiências para além do meu nicho", revela Sara Cura. A arqueóloga também produz o podcast Paleoflash, um podcast mais científico em que apresenta artigos sobre arqueologia. Para além deste projeto, trabalhou num livro sobre inovações em pré-história que vai ser publicado em breve.

Outro dos projetos apresentados na sessão focou-se em ilustração e neurociência. Rita Félix, designer e ilustradora de ciência no Centro de Neurociências e Biologia da Universidade de Coimbra (CNC-UC) começou por falar dos eventos de Biblioteca Humana. Com o mote "Em vez de livros, venham ler pessoas", a iniciativa pretende "trazer os cientistas à rua", explica a designer. A partir da ideia de que cada cientista é como um livro, que fala sobre si e sobre o que faz, Rita Félix decidiu criar ilustrações sobre diferentes cientistas, que entrega à audiência durante os eventos. Na sessão houve ainda tempo para ficar a conhecer algumas das ilustrações já desenvolvidas, como por exemplo, a de Ricardo Neves, um cientista que estuda a diferenciação de células estaminais, tem a música como hobby e ainda o projeto Stem Cells Rock.
Num segundo momento, Rita Félix apresentou o livro "NeuroCuriosos", que foi co-criado com estudantes do quinto ano de escolaridade. Questões como "Porque é o cérebro cinzento?" e "É o cérebro dos gémeos igual?" são respondidas de forma simples e cativante na obra. Mas nem todas as questões colocadas encontram ainda resposta na ciência. O livro vai ser distribuído por escolas de todo o país de forma a chegar a mais crianças e famílias.

A história seguinte foi apresentada por Fredilson Melo, gestor de comunicação na Associação Portuguesa de Bioindústria (P-BIO). Começou por mostrar um vídeo de animação sobre antibióticos e bactérias multirresistentes, ou "super-bactérias" numa alusão a super-heróis. O projeto foi desenvolvido no âmbito do Lab in a Box, do Instituto Glubenkian de Ciência. Fredilson Melo realiza todas as suas animações com PowerPoint e refere que esta ferramenta "tem mais 'power' do que parece". O processo passa por escrever um guião, trabalhar o áudio, desenvolver o storyboard com cada cena específica e concluir com a animação. "A inspiração vem daquilo que eu já vi, filmes, animes, outras animações, mas por vezes é inspiração criativa que chega no momento", remata.
