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As crenças e a aceitação da ciência debatidas em mesa-redonda

O que nos pode dizer a psicologia sobre a aceitação da ciência? Quatro investigadores em psicologia refletiram sobre a relação entre o que acreditamos e o que a ciência nos mostra. Por Mariana Coimbra (texto)

Os estudos da psicologia sobre a aceitação da ciência trouxeram quatro especialistas para uma mesa-redonda que decorreu no primeiro dia do congresso SciComPt2026. A sessão foi moderada por Ana Gomes, investigadora do Centro de Investigação em Ciência Psicológica da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa (CICPSI).

O debate começou com uma abordagem às crenças em matéria de parentalidade. Luísa Barros, investigadora da CICPSI, traçou a evolução desta área desde 1940 até agora e apontou a crescente aceitação do conhecimento científico por pais e crianças quando este lhes é transmitido por profissionais de saúde.

A sessão prosseguiu com a análise do conceito de identidade individual e do seu efeito na aceitação da ciência pelo investigador Francisco Cruz da CICPSI. O investigador propôs vários caminhos para navegar entre identidade e ciência e resolver os conflitos entre o que acreditamos e o que a evidência científica nos diz. Na sua intervenção, Francisco Cruz realçou que quando não há correspondência possível entre crença e ciência, o ceticismo é inevitável.

Mesa-redonda sobre as crenças e a aceitação da ciência. Mariana Coimbra/Redação SciComPt 2026
Mesa-redonda sobre as crenças e a aceitação da ciência. Mariana Coimbra/Redação SciComPt 2026

O potencial dos escape rooms na modificação de crenças sobre ciência foi a abordagem de Pedro Simão Mendes, investigador do Centro de Investigação e Intervenção Social do Iscte-Instituto Universitário de Lisboa (CIS-Iscte). Na sua comunicação, o investigador apresentou resultados de recentes estudos de investigação que comprovam a eficácia de ferramentas de gamificação na alteração de comportamentos ambientais e sociais.

A quarta intervenção explorou a ideia da criação artística como geradora de mudanças no comportamento de crianças e jovens. Leonor Pereira da Costa, investigadora dos Laboratórios Digitais de Ambientes e Interações Humanas da Universidade Lusófona (HEI-Lab), apresentou um projeto para reduzir o estigma da saúde mental com recurso a teatro, cinema, artes plásticas e música. Os resultados do projeto mostraram que o cruzamento entre a psicologia e as atividades artísticas foi um impulsionador de mudança na forma como o público mais jovem vê a saúde mental. O trabalho validou o papel da arte como espaço facilitador na partilha de conhecimento científico.

As apresentações foram seguidas por uma discussão, muito participada, com a audiência, que incluiu a partilha de outros projetos e experiências que cruzam as áreas da psicologia e da comunicação de ciência.