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Isolados ou trabalhar em rede? Comunicação de ciência e democracia debatida no SciComPt 2026

Num contexto marcado pela desinformação e pela polarização, a mesa redonda “Da fragmentação à ação coletiva: comunicação de ciência e democracia” reuniu investigadores, comunicadores e estudantes para refletir sobre os desafios da confiança, da comunicação científica e da relação entre ciência e sociedade. Por Melvin Gil Mabota (texto e imagem)

Num momento em que a desinformação e a polarização desafiam cada vez mais a relação entre ciência e sociedade, a Universidade de Évora recebeu, no passado dia 28 de maio de 2026, uma mesa redonda dedicada ao tema “Da fragmentação à ação coletiva: comunicação de ciência e democracia” no âmbito do congresso SciComPt2026. A moderadora, Maria Inês Alves Vicente, lançou no início da sessão uma questão provocadora ao público: “Será que nós, enquanto comunicadores de ciência, também somos insulares e promovemos esta insularidade?”.

Mesa redonda sobre a comunicação de ciência e a democracia. Melvin Gil Mabota /Redação SciComPt 2026
Mesa redonda sobre a comunicação de ciência e a democracia. Melvin Gil Mabota /Redação SciComPt 2026

A sessão contou com a participação de oito oradores, que iniciaram com apresentações pessoais e partilharam diferentes perspetivas sobre o papel da ciência na construção democrática e na relação de confiança com a sociedade.

Ao longo da conversa, novas reflexões foram levantadas, entre elas: “Como fomentar a confiança na desconfiança?” e “Promovemos esta confiança condicional ou desconfiança seletiva?”. As perguntas abriram espaço para um debate sobre os limites, desafios e responsabilidades da comunicação científica.

Inicio do debate da mesa redonda. Melvin Gil Mabota /Redação SciComPt 2026
Inicio do debate da mesa redonda. Melvin Gil Mabota /Redação SciComPt 2026

Durante o debate, Catarina Ramos apresentou uma intervenção que recupera um evento online intitulado “Décadas de Ciência para os Dias das Vacinas”. A participante destacou algumas preocupações levantadas durante o encontro, sobretudo relacionadas com a confiança pública e os desafios da divulgação científica.

Participantes na mesa redonda sobre a comunicação de ciência e a democracia. Melvin Gil Mabota /Redação SciComPt 2026
Participantes na mesa redonda sobre a comunicação de ciência e a democracia. Melvin Gil Mabota /Redação SciComPt 2026

Entre as intervenções, João Gaspar destacou que “os poucos cientistas têm uma confiança exagerada”. Lembrou-se que os comunicadores e cientistas acabam exagerando, por vezes, as descobertas cientificas, a maior parte acontece no comunicado de imprensa e não pelos jornalistas e isso pode vir a ter implicações no futuro por parte do público.

Já Mário do Montenegro afirmou que “não procuramos inspirar confiança naquilo que fazemos na ciência”, acrescentando que é difícil pensar na ciência como algo abstrato. A ciência lida com contextos complexos e diferentes percepções sociais. Montenegro referiu que precisamos de estar atentos ao que as pessoas fazem e dizem, muitas das vezes o que se diz não corresponde à realidade.

Os participantes foram convidados a registar as suas ideias num grande poster. Melvin Gil Mabota /Redação SciComPt 2026
Os participantes foram convidados a registar as suas ideias num grande poster. Melvin Gil Mabota /Redação SciComPt 2026

Na reta final da conversa, os participantes foram convidados a refletir sobre uma última questão: “Como podemos coletivamente combater a insularidade e a polarização?”. Entre as ideias apresentadas, destacou-se a necessidade de criar maior ligação entre ciência, comunicação e sociedade, promovendo espaços mais acessíveis de diálogo e participação coletiva.

O público também participou na sessão, levantando questões sobre confiança, credibilidade e as formas como a informação científica é transmitida à sociedade. As intervenções reforçaram a importância de aproximar o conhecimento científico das pessoas de forma clara, responsável e inclusiva.

Desenho da participante Luisa Amado com o seu resumo do evento. Melvin Gil Mabota /Redação SciComPt 2026
Desenho da participante Luisa Amado com o seu resumo do evento. Melvin Gil Mabota /Redação SciComPt 2026

O evento contou com mais de 60 participantes e foi amplamente elogiado pela relevância do tema e pela iniciativa da SciComPt2026. Os presentes destacaram a importância de encontros como este para fortalecer o debate sobre comunicação de ciência e incentivar novas ações coletivas no futuro.

A sessão terminou num ambiente de partilha e reflexão, deixando em evidência a necessidade de construir pontes entre ciência, comunicação e democracia numa sociedade cada vez mais marcada pela fragmentação de ideias e pela busca de confiança.