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A comunicação de ciência em Portugal é "uma comunidade cada vez mais rica"

Fundadora da rede SciComPT e professora no Instituto Superior Técnico, Joana Lobo Antunes esteve presente nas catorze edições do encontro anual da comunidade que ajudou a criar. Na décima quarta, a mais participada de sempre, com mais de trezentas presenças, fala de uma área com "ótima saúde" e de uma comunidade que, diz, só fica mais rica com a sua diversidade. Por José Malta (texto)

Redação SciComPt: Estamos na décima quarta edição do encontro da Rede de Comunicação de Ciência e Tecnologia de Portugal, o primeiro realizado em Évora. É também a edição mais participada de sempre. O que representa este momento para si?

Joana Lobo Antunes: Acho espetacular! Espero que cada encontro SciComPT seja o mais participado de sempre, que vá sempre crescendo. É um enorme orgulho ver esta comunidade a crescer. No primeiro encontro que fizemos, achámos que iam aparecer cinquenta pessoas, e acabaram por aparecer cem. Espera-se que, nesta edição, ultrapassem as trezentas participações. Acho que é um orgulho enorme.

RS: Para além de comunicadora de ciência, é também docente no Instituto Superior Técnico. Como avalia a relação dos estudantes - de licenciatura, mestrado e doutoramento - com a comunicação de ciência? Têm muita dificuldade em comunicar os resultados das suas teses de mestrado e dos seus projetos de licenciatura?

JLB: Sim, todos têm imensa dificuldade. Mas o que encontro nos alunos é que os de licenciatura têm muito interesse por esta área e querem aprender muito. Aliás, eu tinha quarenta lugares na minha academia e concorreram cento e cinquenta pessoas. Há muito interesse, cada vez mais, em aprender a fazer estas coisas.

Joana Lobo Antunes foi umas das fundadoras da Rede SciComPt. Teresa Gonçalves/Redação SciComPt 2026
Joana Lobo Antunes foi umas das fundadoras da Rede SciComPt. Teresa Gonçalves/Redação SciComPt 2026

RS: E entre os alunos de doutoramento?

JLB: Os alunos de doutoramento são os que aparecem nas aulas, talvez sejam os que querem aprender mais. Ainda bem que procuram a formação, porque há espaço para melhorar.

RS: Olhando para o estado atual da comunicação de ciência em Portugal, diria que está de boa saúde?

JLB: Diria que está de ótima saúde! Todos os anos digo aos meus alunos que é o melhor momento para entrar nesta área, e todos os anos continuo a acreditar nisso. Há cada vez mais oportunidades de trabalho, mais projetos, mais comunidade. E, além disso, as pessoas são simpáticas, como se vê aqui hoje!

RS: Acredita que o futuro da área passa por mais jovens a seguirem formação especializada - mestrados e doutoramentos em comunicação de ciência?

JLB: Já há alguns a fazer isto. Mas uma das maiores riquezas da comunicação de ciência é ter pessoas com diferentes backgrounds. Portanto, eu não ficaria nada contente se houvesse uma bio única. Acho que é uma riqueza muito grande ter pessoas que são da ciência, pessoas que só fazem comunicação de ciência, pessoas que são cidadãos e gostam muito da ciência, investigadores, professores, tudo. É essa riqueza, é essa variedade e heterogeneidade das pessoas que torna esta comunidade cada vez mais rica.