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Falta de financiamento e a necessidade de desconstruir o jargão cientíco. Comunicadores de ciência discutem problemas da área

Entre os temas discutidos estiveram a desvalorização da comunicação de ciência, a falta de financiamento e os desafios dos profissionais da área. Por Maria Coelho (texto)

“Nas últimas décadas, a comunicação de ciência consolidou-se com investigação relevante e interdisciplinar”, começou por referir Liliana Oliveira, assessora de comunicação na Universidade de Aveiro, e moderadora da mesa redonda “Do que sabemos ao que fazemos: como se articulam a investigação e a prática?”, que decorreu na quarta-feira, 27 de maio, no Auditório Nobre da Universidade de Évora, no congresso SciComPt 2026.

Os diferentes oradores concordaram que existe um reconhecimento comum da investigação como pilar para prática da comunicação de ciência. “Ter essa bagagem é a nossa vacina”, afirma Sílvio Mendes, coordenador de Comunicação, Imagem e Marketing do Instituto Superior Técnico de Lisboa.

Os intervenientes identificaram vários obstáculos que dificultam a aproximação entre a investigação e a prática. Entre estes fatores constam a falta de tempo para acompanhar a literatura científica, a precariedade dos vínculos profissionais, as dificuldades no acesso e publicação de investigação em revistas científicas, e a desvalorização da área da comunicação de ciência.

Os oradores lamentaram alguma desvalorização da comunicação de ciência. Teresa Gonçalves/ Redação SciComPt 2026
Os oradores lamentaram alguma desvalorização da comunicação de ciência. Teresa Gonçalves/ Redação SciComPt 2026

Ana Delicado, investigadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, aponta, ainda, para a ausência de oportunidades de financiamento nesta área. “A Comissão Europeia tinha uma linha de financiamento só para questões de comunicação de ciência. Era relativamente fácil arranjar esse financiamento também nos projetos da FCT. Isto também secou já há muito tempo”, destacou.

Ao mesmo tempo foi destacada a dificuldade em adaptar a linguagem dos conteúdos da investigação em comunicação de ciência para ser compreendida por quem a pratica. O jargão técnico foi referido como um fator que dificulta a compreensão, não só pelo público não especializado, mas também por profissionais da área. Existe a necessidade de encontrar um equilíbrio entre precisão científica e clareza, de modo a aplicar a investigação na prática de forma mais eficiente.

Uma das intervenções do público foi feita por Joana Lobo Antunes, professora e investigadora no Instituto Superior Técnico de Lisboa, que deixou um apelo aos profissionais da área: “Se gostam de trabalhar em comunicação de ciência e se querem que esta área floresça e continue, temos que trabalhar por mais financiamento da comunicação de ciência”.

Desmontar o jargão técnico e científico é um desafio para os comunicadores de ciência. Teresa Gonçalves/ Redação SciComPt 2026
Desmontar o jargão técnico e científico é um desafio para os comunicadores de ciência. Teresa Gonçalves/ Redação SciComPt 2026

O mesa-redonda terminou com destaque para a co-criação como uma abordagem para aproximar a investigação e a prática. Houve ainda espaço para refletir sobre os desafios da ciência cidadã, área exige uma sólida fundamentação conceptual e metodológica para ser aplicada.