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Quem faz de intermediário? Mesa redonda reflete sobre os intervenientes na comunicação de ciência

A mesa redonda “O que acontece à comunicação de ciência quando deixam de existir intermediários?” reuniu duas investigadoras e uma jornalista para refletir sobre a ciência que é comunicada através dos média, redes sociais ou diretamente com a comunidade. Por Mariana Coinbra (texto e imagem)

A sessão “O que acontece à comunicação de ciência quando deixam de existir intermediários?” realizou-se no dia 28 de maio no âmbito do congresso SciComPt2026. Partilharam a sua experiência Carlota Vaz Patto, investigadora da ITQB NOVA, Carla Lourenço, coordenadora de comunicação e relações-públicas do Coral Research & Development Accelerator Platform (G20 CORDAP) e Teresa Firmino, editora de ciência do Público.

Carlota Vaz Patto é investigadora na área da genética quantitativa molecular e comunica regularmente ciência com cidadãos e agricultores. Durante a sessão, identificou como principal desafio desta comunicação o trabalho de simplificar sem passar mensagens erradas. A investigadora defende que, no contacto direto com a comunidade, o principal objetivo é explicar a ciência de forma simples sem perder o rigor científico. Por outro lado, aponta a dificuldade de descobrir formas de se aproximar de um público tão específico. Para Carlota Vaz Patto o fator tempo é crucial, pois na sua opinião qualquer assunto complexo consegue ser explicado se houver tempo para o trabalhar.

Mesa redonda “O que acontece à comunicação de ciência quando deixam de existir intermediários?". Mariana Coimbra/Redação SciComPt 2026
Mesa redonda “O que acontece à comunicação de ciência quando deixam de existir intermediários?". Mariana Coimbra/Redação SciComPt 2026

Carla Lourenço defende que estas plataformas permitem a partilha de informação num contexto menos formal e menos académico, o que pode ser muito eficaz. A investigadora e comunicadora de ciência mostra grande preocupação pela crescente desinformação nas redes sociais e defende a importância de regulamentar as plataformas para proteger audiências e responsabilizar divulgadores de conteúdo. Carla Lourenço apelou ainda à formação em comunicação de ciência de cientistas, nomeadamente nas áreas das ciências naturais e exatas.

Teresa Firmino, jornalista e editora da única secção de ciência num jornal diário nacional, falou do perigo do consumo direto de informação nas redes sociais quando associado a propósitos ideológicos ou económicos. A jornalista acrescentou que, enquanto o jornalismo se rege por regras éticas e deontológicas e informação verificada, o mesmo não acontece nas redes sociais, onde a desinformação viaja muito depressa. Para Teresa Firmino, é difícil informação verificada competir com desinformação: esta última é mais apelativa, mais simples, explora as emoções e apela ao medo, enquanto o jornalismo é mais complexo porque tenta contextualizar e explicar.