← Voltar às notícias

Oficina discute envolvimento entre stakeholders e comunicadores de ciência

Numa oficina onde se promoveu a interatividade, as perguntas "porquê envolver", "quem" e "como", conduziram os participantes a uma debate muito ativo. Desde piqueniques a programas de televisão curtos, houve propostas de financiamento e de co-criação. Por Madalena Gamboa e Carmo Silva (texto e imagem)

A colaboração ativa com stakeholders é essencial em projetos de comunicação de ciência. Na oficina "Para lá da disseminação: envolver stakeholders na ciência desde o início", discutiu-se a melhor forma de encontrar stakeholders que apoiem a divulgação de ciência em diversas entidades. Como referiu o formador Alexandre Torres Ferreira, comunicador de ciência na Stickydot, "a comunicação de ciência pode ser mais do que apenas transmitir conhecimento científico para o público geral".

A oficina promoveu uma abordagem prática. Cada dupla de participantes tinha de desenhar num post-it a razão pela qual se deveria incluir stakeholders num projeto de divulgação de ciência. Esta dinâmica motivou uma discussão criativa que coincidiu em razões semelhantes: os stakeholders contribuem com financiamento e com impacto nos projetos. Sofia Rosado, estudante na Universidade do Minho e participante desta oficina, sublinhou a "flexibilidade de observar, dentro de diferentes contextos, o que poderá ser relevante, o que poderá contribuir" para os projetos de comunicação de ciência.

Alexandre Torres Ferreira, que colabora com o projeto Coalesce, um centro europeu destinado a promover as competências de comunicação de ciência, referiu a relevância social que os stakeholders trazem ao projeto e realçou a importância da inclusão para criar projetos robustos.

Comunicadores de ciência de todo o país participaram na oficina. Henrique Pereira/Redação SciComPt 2026
Comunicadores de ciência de todo o país participaram na oficina. Henrique Pereira/Redação SciComPt 2026

No universo dos diversos públicos e stakeholders, foi feita a diferença entre públicos a envolver e públicos a alcançar e entender. A este propósito, Alexandre Torres Ferreira afirmou: "Realmente há todo um potencial para diálogo entre diferentes agentes que andam à volta da ciência e que são necessários, e também é preciso fazer comunicação entre essas partes".

Foram pensados vários públicos-alvo, que vão desde crianças a adultos, famílias e sociedade em geral, incluindo stakeholders mais tradicionais, como entidades de investigação de diferentes disciplinas relacionadas, o setor público, a esfera política e a indústria. O palestrante explicou como é que um comunicador de ciência "pode tentar mapear grupos ou perfis com os quais possa colaborar e criar em conjunto". É necessário pensar em como envolver os stakeholders, em que profundidade e em que fase do processo.

Noutra dinâmica de grupo, foram destacados os maiores desafios, como a importância de manter a relação com as entidades e a de convidar especialistas e pessoas afetadas. De acordo com Sofia Rosado, uma das formandas, as contribuições dos stakeholders "podem não ser, às vezes, para concretizar, mas para continuar a avançar no terreno".

Alexandre Torres Ferreira, comunicador de ciência na Stickydot. Carla Magro Dias/Redação SciComPt 2026
Alexandre Torres Ferreira, comunicador de ciência na Stickydot. Carla Magro Dias/Redação SciComPt 2026

A última dinâmica foi a clínica de stakeholders, onde se abordaram projetos em específico com desafios reais. De acordo com o Alexandre Torres Ferreira, o objetivo desta parte da oficina passa por "tentar criar espaço para que as pessoas consigam falar umas com as outras".

Os projetos partilhados foram desde a física nuclear, até as alterações climáticas, passando por maquetes, agricultura e saúde. O orador sublinhou a criação conjunta como "um momento de sabedoria coletiva", que resultou na apresentação de propostas de piqueniques, programas de televisão e possibilidades de financiamento.

No final da oficina, o palestrante reforçou o facto de ter sido possível "criar espaços para vários diálogos, em grupo, reflexões individuais, diálogos com toda a gente, acho que toda a gente conseguiu pelo menos pensar em conjunto sobre os seus próprios projetos".

Sofia Rosado, uma das formandas, sublinhou que a principal mensagem da oficina passa por "construir comunidades sempre que estamos a tentar desenvolver um projeto". A formação "foi muito bem preparada, foi um sucesso visto que toda a gente quis participar, envolveu-se e apresentou as suas propostas e partilhou ideias".

A oficina teve lugar no pré-congresso da SciComPt 2026, no dia 26 de maio, e vai ser dinamizada novamente pela Stickydot, no âmbito do projeto Coalesce, previsto para o próximo dia 8 de julho.