Como se arquiva uma sensação de um momento específico? Ou uma memória? E como transformamos um arquivo estático numa coisa mais dinâmica, mais criativa? Foram estas questões exploradas por Natália Melo, investigadora do Instituto de Investigação e Formação Avançada da Universidade de Évora, na oficina “Co-criação de (An)arquivos como prática para a imaginação de futuros”, que decorreu na terça-feira, dia 26 de maio, no congresso SciComPt 2026, em Évora.
"Anarquivos" é um conceito que procura desconstruir a ideia tradicional de arquivos. Por isso, aposta-se no dinamismo e nas sensações associadas a momentos específicos que percorrem a nossa memória. Natália Melo explica como surgiu o projeto: “Pegamos na ideia de um arquivo estático para o transformarmos numa coisa dinâmica, criativa, para possibilitar a incorporação de novas vozes, de novas histórias, ao invés de uma curadoria fechada em que a história é imutável”.

Os participantes foram convidados a aplicar esta ideia a um termo muito geral de Anarquivo da Terra.
Isabella Santos, participante e investigadora do Museu de Astronomia e Ciências Afins, no Brasil, descreve os anarquivos como “se pensarmos numa tradução, pode relacionar-se com a ideia de anarquia, mas também com a necessidade de desengavetar arquivos”.
Esta oficina levou os participantes a propor formas de construir um arquivo no futuro, com base em materiais associados a emoções. “Podemos considerar a fotografia como parte do arquivo de memória, mas as sensações, as emoções associadas àquele momento, nem sempre conseguimos arquivar”, defendeu Natália Melo, formadora da sessão.

Desta oficina resultou uma exposição de objetos escolhidos e criados pelos participantes, que refletiam emoções, sensações e memórias.
Natália Melo descreve que os participantes passaram por uma transformação muito clara” e conclui que os as metodologias "podem ser replicadas e podem ser levadas para outros contextos”. Isabella Santos acrescenta que “quando vemos as imagens, podemos perceber o quanto a sessão foi profunda, também”.
A exposição está patente nos Claustros Principais do Colégio Espírito Santo, na Universidade de Évora.