Durante a mesa redonda "O que nos pode dizer a Psicologoa sobre a aceitação da ciência?", que decorreu na quarta-feira, 27 de maio de 2026, no primeiro dia do congresso SciComPt 2026, Luísa Barros abordou a evolução da comunicação de ciência no contexto da parentalidade ao longo dos últimos 70 anos.
A especialista recordou uma época em que os profissionais de saúde eram vistos como figuras inacessíveis, detentoras de autoridade absoluta, ao mesmo tempo em que aos pais cabia apenas obedecer, sem possibilidade de questionar ou aprender.
A oradora defendeu que esse paradigma se transformou profundamente. Atualmente, os pais são reconhecidos como parceiros fundamentais no processo de cuidados e educação, sendo valorizados enquanto participantes ativos na tomada de decisões. No entanto, salientou também os novos desafios associados à complexidade da transmissão de informação, defendendo uma comunicação “interconstruída”, baseada numa relação eficiente e colaborativa entre profissionais e famílias.

A especialista destacou ainda o impacto da era digital na forma como os pais procuram informação: “A maioria dos pais procura informação online de várias formas, mas confiam mais na informação dos profissionais. Por vezes, usam-na de forma complementar, isto é, vão à consulta médica, enfermagem, psicologia e depois vão à internet confirmar ou procurar”.
Como resposta a estes desafios, Luísa Barros defendeu uma abordagem centrada na empatia e na adaptação da comunicação às crenças e necessidades dos pais, com o objetivo de reduzir a ansiedade e promover maior confiança. “Se eu quiser mostrar empatia, não preciso de ser autoritária. Não devo dizer a uma mãe "não pode fazer isso", mas tentar compreender por que faz isso, para vermos se há outras alternativas”, acrescentou.
A especialista sublinhou ainda a importância de os profissionais de saúde assumirem um papel ativo nas plataformas digitais e nas novas tecnologias, utilizando-as como ferramentas de educação científica dirigidas às famílias.
Quando questionada sobre as estratégias a adotar pelos professores e profissionais de saúde na comunicação em ciência referiu: “não tenho solução. Por enquanto sou capaz de identificar o problema. É perceber como é que os pais procuram informação, se confiam ou não confiam no profissional de saúde”.
A professora sublinhou ainda o fenómeno dos influencers como um fator potencialmente prejudicial designando-os como “inimigos” da comunicação de ciência, capazes de gerar desinformação e, em alguns casos, consequências “dramáticas” para a saúde das famílias. A especialista lembrou o caso do Reino Unido, onde há influenciadores digitais a promoverem o parto no domicílio, sem suporte de uma equipa médica.
A terminar a intervenção, a especialista apela a uma maior comunicação entre pais e profissionais de saúde.