Sara Anjos, investigadora da Universidade do Minho e uma das autoras do artigo científico "Literacia científica crítica: competências essenciais para o envolvimento com a ciência na era digital", defende a necessidade de competências para avaliar criticamente questões sociocientíficas, interpretar informação científica em diversos contextos e participar de forma significativa no discurso público sobre ciência.
Os algoritmos privilegiam “informação controversa e desinformação e as pessoas têm de estar preparadas para entender isso”, uma vez que “estes ambientes não são neutros”, fez notar a investigadora, durante o painel “Plataformas digitais e novos ecossistemas de comunicação de ciência”.

A conclusão a que chegaram os investigadores, numa revisitação ao conceito de literacia científica, aponta para a necessidade de “competências que têm de ser trabalhadas desde muito cedo”. O objetivo é formar cidadãos que “consigam participar em assuntos sociocientíficos e que saibam reconhecer a desinformação e os constrangimentos que a ciência enfrenta”. E isso deve começar logo no primeiro ciclo, assumiu à redação da SciComPt2026, à margem dos trabalhos.
Os mais novos são o público-alvo da “O que estou a olhar?” (WAILA), um formato interativo de comunicação científica da Fundação Champalimaud que utiliza imagens científicas reais como ponto de entrada para o envolvimento do público.
“O que notamos é que, para as crianças que normalmente não têm contacto com a ciência, este jogo é uma maneira de ser mais animado”, salientou John Lee, da equipa de Comunicação da Fundação Champalimaud.

Num jogo de cartões, em que é necessário jogar em equipa, o telemóvel fica à margem. Este entra em ação quando é necessário visualizar os vídeos que a Fundação Champallimaud disponibiliza também para o público jovem.
Já a Ciência Viva promove conversas online (na 6ª edição) destinadas a um público não especializado e com o objetivo de aproximar a sociedade dos desenvolvimentos mais recentes ligados à ciência. Esta iniciativa será, em breve, adaptada ao formato podcast, para aumentar e diversificar a sua audiência.
O SciCom.Pt2026, congresso de comunicação de ciência que decorre em Èvora até 29 de maio, junta mais de 200 participantes, oriundos de todo o país e estrangeiro.
