Uma imagem e o slogan “Crescer com ciência… lá fora” nas costas da t-shirt denuncia Gustavo Filipe, um dos nove alunos e três professores do Agrupamento de escolas de Carnaxide que participa na edição de 2026 do SciCom.Pt. A ciência é algo com que contata nas aulas e também no Clube de Ciência a que chegou há pouco tempo. O podcast é a grande face visível do trabalho extra-curricular dos alunos.
“Temos liberdade para escolher os temas sobre os quais queremos falar, não é algo que já esteja previamente definido.”
Às quartas à tarde, os alunos escrevem o guião e trabalham na preparação de mais um episódio. Não é disciplina obrigatória e “é muito divertido”. Aos participantes do congresso, numa demonstração, o grupo explicou como funciona a construção, desde a ideia à gravação e edição. “É algo que dá trabalho e não se faz de um dia para o outro”, remata Gustavo, mostrando interesse por tecnologia e inteligência artificial.

O podcast serve para “incentivar as pessoas a falarem sobre os temas e a perceberem mais [sobre eles]. Focamo-nos principalmente na física quântica e em como ela está a evoluir nos últimos tempos, porque é o futuro.”
Comunicar ciência é importante? Gustavo defende que sim, mas muitos jovens “nunca tiveram um contacto próximo com a ciência nem foram ensinadas a gostar dela", lamenta. "É algo muito interessante para qualquer um, mas as pessoas estão interessadas em outras coisas que não são assim tão importantes.”
“A ciência não deve ficar fechada na comunidade”
Sara Fonseca, do 12.º ano, é também uma das redatoras e produtoras do podcast do Clube de Ciência. A aluna de 18 anos prepara-se para estudar Engenharia Física, e, apesar de não quer enveredar pela comunicação de ciência, “a comunicação fará sempre parte do meu dia a dia”, afirma. A jovem defende que “não se pode fazer ciência se depois não soubermos explicar o que fizemos”, assumindo que “a ciência não deve ficar fechada na comunidade que a desenvolve, tem de ser partilhada com o mundo”.
O seu particular interesse pela Física Quântica, “uma área em enorme expansão”, tem reflexo no podcast em que participa. “O que pretendemos transmitir é o básico sobre o tema, democratizando o acesso a este conhecimento” aponta a jovem, salientando que o podcast se dirige a todos os públicos. Para Sara, “é gratificante ver como as pessoas que não dominam o tema conseguem ficar mais informadas através da nossa explicação”.

Necessidade de comunicação e reflexão
Tudo começou com o podcast, mas, agora, o Clube de Ciência integra o congresso do SciComPt para mostrar o que faz. O orgulho do professor Rui Figueira, docente de Física e Química e responsável pelo projeto, é vísivel. “A motivação nasce do facto de nós termos um clube de ciência, sendo que uma das suas dimensões é um podcast que nós criamos de raiz."
O podcast inicial “Um Minuto de Ciência” multiplicou-se: “The Power of Science” e “Minuto em Expansão” são os novos podcasts do Clube de Ciência. “Acho importante que o podcast seja um veículo excelente para comunicar conteúdos de outras disciplinas”, explica Rui Figueira.

Em “processo de reflexão” para melhorar o projeto, o professor procura tornar o “podcast mais atrativo, tanto para quem o faz como para a audiência”. O docente considera que, além da divulgação nas redes sociais, é “necessário ampliar para toda a comunidade escolar, e envolver pais, alunos e outros professores”.
Rui Figueira foi um dos participantes do mini curso de Comunicação de Ciência, uma parceria do Cenjor - Centro de Formação Protocolar de Jornalistas e da Universidade de Évora, por ocasião do congresso SciComPt2026. “Percebi que há uma necessidade urgente de formarmos pessoas para que a comunicação de ciência passe de forma eficaz”, afirma Rui Figueira.