
Durante três dias de congresso, Évora será o palco da comunicação de ciência. A sessão de abertura do congresso SciComPt2026 teve lugar no Convento do Espírito Santo e contou com a participação da presidente da rede SciComPt, Ana Santos Carvalho, o reitor da Universidade de Évora, António Candeias, a diretora da Agência Nacional Ciência Viva, Ivone Fachada, e a coordenadora da aliança EU GREEN, Cesaltina Pires.
Ana Santos Carvalho deu início à sessão, sublinhando a importância da história e cultura da cidade de Évora na comunicação de ciência. “Havia temas que eram inevitáveis”, afirma a presidente da rede SciComPt. “A memória, a identidade e a sustentabilidade são três áreas fulcrais para a cidade e que, nós acreditamos, têm uma relação muito próxima e intrínseca com a comunicação de ciência”, acrescenta.

Para Ana Santos Carvalho, que organiza pela terceira vez o congresso SciComPt2026, a edição deste ano superou todas as expectativas. O evento contará com um recorde de 250 propostas - entre comunicações, demonstrações, sessões e oficinas - e reúne 361 participantes, dos quais 22 são voluntários da Universidade de Évora. Há ainda duas bolseiras, o que representa também um recorde num congresso que é organizado desde 2013.
O evento contou ainda com um momento musical do duo Fibonachi, composto por alunas da Escola de Artes da Universidade de Évora.
A memória como base para do futuro
“Comunicar ciência deixou de ser apenas um exercício de disseminação”, começa por dizer António Candeias, reitor da Universidade de Évora, sublinhando que a comunicação traduz o conhecimento para a sociedade, tornando-o mais democrático e necessário para o desenvolvimento das sociedades contemporâneas. Num mundo cada vez “mais vulnerável à desinformação, ao medo e à fragmentação”, a comunicação de ciência precisa de ser “clara, acessível e credível”, refere António Candeias, reforçando a relevância que a comunicação tem para o futuro.
Évora é, para o reitor, o lugar ideal para esta reflexão, por ser uma cidade de dicotomias, onde coabitam tradição e inovação, e devido à classificação como cidade Património Mundial. Através da universidade, torna-se também um polo de criatividade e ciência. Évora, que em 2027 será Capital Europeia da Cultura, afirma-se cada vez mais como uma ponte entre “conhecimento, cultura e desenvolvimento territorial”.

Além disso, o Alentejo mostra como uma região periférica pode tornar-se um espaço de debate sobre áreas fundamentais ao desenvolvimento social, como a sustentabilidade, o património e a coesão social, sinalizou o responsável pela academia que acolhe o SciComPt2026. “Num mundo saturado de informação”, as instituições precisam de uma comunicação clara, transparente e humana", conclui.
A identidade da rede SciComPt ao serviço da sociedade
Évora é “um verdadeiro museu ao ar livre”, salienta Ivone Fachada, diretora da Agência Nacional Ciência Viva. A responsável destaca que a cidade parte das suas raízes históricas para criar uma identidade cultural única, tornando-se cada vez mais um exemplo de partilha e conhecimento. A universidade é prova disso: sendo uma das mais antigas do país, mostra como aplicar o conhecimento que produz, com uma ligação forte à sociedade, tanto no plano regional como internacional.
O SciComPt2026 “tornou-se essencial na construção desta identidade coletiva [da comunicação de ciência portuguesa]”, afirmou ainda Ivone Fachada. O congresso consolidou-se como um espaço de partilha, conhecimento e crescimento, num “campo muito diverso e em constante transformação”.
A Ciência Viva e a rede SciComPT partilham a necessidade de descentralizar o conhecimento e de colocar a ciência no quotidiano das pessoas em todo o território. Este congresso é um “motor de novas abordagens” e cria espaços de encontro numa comunidade cada vez mais diversa e “consciente do seu papel social”, acrescenta a responsável.

O SciComPt2026 pode ser um espaço de imaginação que ajuda a transformar a identidade da sociedade portuguesa, tornando os cidadãos mais “críticos, informados [e] capazes de distinguir, de facto, evidência de opinião”. Ivone Fachada vê nos membros deste congresso - principalmente, os que participam pela primeira vez - “uma oportunidade para enriquecer, desafiar e fazer evoluir a comunicação de ciência”. Salienta ainda que a ciência é “uma forma de estar, de pensar, capaz de transformar o mundo para melhor”, convidando todos a imaginarem uma nova forma de construir identidade.
A sustentabilidade na comunicação de ciência
A Universidade de Évora é uma das oito universidades que integra a aliança EU GREEN - um projeto que se foca no estudo e ensino da sustentabilidade. Apesar de, à primeira vista, a sustentabilidade não estar diretamente associada à comunicação de ciência, Cesaltina Pires, professora e coordenadora da aliança, defende que a sustentabilidade, numa perspetiva global, pode estar associada ao património e à cultura.
A professora referiu o papel fundamental que a comunicação de ciência tem no sucesso de iniciativas como a EU GREEN, enquanto potenciadora da transformação que estas podem ter na sociedade. Por isso, sublinha a importância de “estar envolvida na organização deste evento”.
O congresso contou ainda com um dia prévio, com oficinas e um arraial, “para abrir o apetite aos três dias que se avizinham”, na Casa Cordovil, da Universidade de Évora, sublinha Ana Carvalho. Este congresso contará ainda com um evento social em Monsaraz, que inclui uma visita ao castelo, um jantar numa antiga adega e, ainda, uma observação de estrelas no Alqueva.