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Isabella Santos cruzou o Atlântico com o objetivo de aprender, ouvir e abrir horizontes

Do Rio de Janeiro a Évora, com carta de intenção aprovada e uma bolsa, Isabella Santos chegou ao SciComPt2026 com um propósito claro: aprender e regressar ao museu onde trabalha com mais conhecimento. Por Dina Carvalho e Carla Magro Dias (texto e imagem)

Isabella Santos veio a Évora com uma bolsa do SciComPt2026. Trouxe duas comunicações e a vontade de perceber o que o evento pode devolver ao museu onde trabalha, no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.

O processo de seleção foi competitivo: "Tive de escrever uma carta de intenção para poder receber a bolsa. Escrevi quais eram as minhas participações dentro do museu, quais os objetivos que me trouxeram cá, e o que retornaria ao museu. Isso é o mais interessante: vir para cá com um olhar de investigadora e perceber de que forma este evento pode também auxiliar na programação de ciência do meu espaço", conta. Chegou a Évora para aprender, ouvir e "abrir horizontes".

O Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), no Brasil, existe há mais de 40 anos, mas carrega quase dois séculos de história através do Observatório Nacional, fundado por Dom Pedro I. É lá que Isabella trabalha a divulgação e popularização da ciência com um olhar específico e politicamente situado: género e raça como eixos de leitura do conhecimento científico.

Em Évora, participou na oficina de cocriação de arquivos, conduzida por Natália Melo, investigadora da Universidade de Évora, numa experiência que a marcou pelo trabalho realizado. Os cartazes produzidos durante a sessão vão estar em exposição no Colégio do Espírito Santo durante o evento. "Pensar os arquivos para além da institucionalização é pensá-los como uma esperança para o futuro do que queremos agora", realça a investigadora.

Isabella Santos, uma das vencedoras das bolsas SciComPt2026. Dina Carvalho e Carla Magro Dias/Redação SciComPt2026
Isabella Santos, uma das vencedoras das bolsas SciComPt2026. Dina Carvalho e Carla Magro Dias/Redação SciComPt2026

Além das oficinas, o que move Isabella é a própria ligação histórica entre o Brasil e Portugal, que vê agora patente em diferentes exposições. A investigadora destaca, por exemplo, a mostra "Olhar o Céu, Medir a Terra", que começa com um verso de Fernando Pessoa sobre a viagem marítima portuguesa e percorre séculos de navegação, astronomia e troca científica.

Isabella Santos atravessou o Atlântico, mas não veio sozinha. Veio acompanhada por uma segunda investigadora brasileira, com quem divide a alegria de ter conquistado uma bolsa do SciComPt2026.

No Congresso Nacional de Comunicação de Ciência apresenta duas comunicações, no dia 29 de maio: "Contar o céu: a oralidade como prática de comunicação científica intercultural", integrada nas Comunicações Breves sobre Arte, Narrativas e Cultura Científica, e "Mulheres no Museu? Divulgação Científica por abordagens feministas no Sul Global", ambas em co-autoria.